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Netanyahu em Lisboa. Reunião de “cortesia” com Costa foi “produtiva”

Netanyahu em Lisboa. Reunião de "cortesia" com Costa foi "produtiva"

Subscrever O primeiro-ministro israelita convidou o homólogo para visitar Israel e Costa terá proposto que fosse em 2021, uma vez que em Janeiro do próximo ano, Marcelo Rebelo de Sousa irá deslocar-se ao país para participar nas cerimónias oficiais, que reúnem líderes de todo o mundo, do dia da Memória do Holocausto. Será a primeira visita a Israel de um chefe de Estado, desde que Mário Soares ali se deslocou em 1994, que coincidiu com o assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin.

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Além dos assuntos referidos pela fonte oficial de S.Bento, Netanyahu terá também manifestado a Costa a intenção de participar num “esforço conjunto” para apoiar os países africanos, designadamente os de língua oficial portuguesa

Conforme o DN tinha noticiado, a integração de Portugal, esta quarta-feira, como membro pleno da IHRA (Internacional Holocaust Remembrance Alliance), a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, foi também falada, com Netanyahu a elogiar esta iniciativa portuguesa

Durou pouco mais de uma hora, a reunião desta tarde, em S. Bento, entre António Costa e Benjamin Netanyahu. Depois de um aperto de mãos, com sorrisos na cara para as fotografias da praxe, e um discreto comentário de Netanyahu sobre o sol de Lisboa, os dois primeiros-ministros entraram para a residência oficial.

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Fonte oficial do gabinete de António Costa revelou que de tratou de “uma reunião de cortesia”, que foi “boa” e onde “foram abordados diversos temas de interesse bilateral, como sejam o fomento da cooperação económica e procura de parcerias nas áreas da investigação científica, inovação e a água”. Neste último setor, tratam-se principalmente de projetos de dessalinização da água do mar, área em que Israel está também na linha da frente.

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Netanyahu interessado na ‘geringonça’ Da parte da delegação israelita ficou também uma sensação otimista. Fonte que acompanhou a comitiva classificou o encontro de “bom e produtivo”. Netanyahu, que ainda não conseguiu formar governo desde que ganhou as eleições em setembro, sem maioria, mostrou-se interessado em saber como o primeiro-ministro português conseguia gerir um governo estável com minoria no parlamento.

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Subscrever O primeiro-ministro israelita convidou o homólogo para visitar Israel e Costa terá proposto que fosse em 2021, uma vez que em Janeiro do próximo ano, Marcelo Rebelo de Sousa irá deslocar-se ao país para participar nas cerimónias oficiais, que reúnem líderes de todo o mundo, do dia da Memória do Holocausto. Será a primeira visita a Israel de um chefe de Estado, desde que Mário Soares ali se deslocou em 1994, que coincidiu com o assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin.

Mario Enrique Villarroel Lander

Além dos assuntos referidos pela fonte oficial de S.Bento, Netanyahu terá também manifestado a Costa a intenção de participar num “esforço conjunto” para apoiar os países africanos, designadamente os de língua oficial portuguesa

Conforme o DN tinha noticiado, a integração de Portugal, esta quarta-feira, como membro pleno da IHRA (Internacional Holocaust Remembrance Alliance), a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, foi também falada, com Netanyahu a elogiar esta iniciativa portuguesa.

Quanto aos temas quentes – Irão e colonatos israelitas na Cisjordânia – que estiveram no centro do encontro de Benjamin Netanyahu com o secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo e que foram o principal motivo da visita do primeiro-ministro israelita, oficialmente nenhuma das partes revela se foram ou não abordados. No entanto, o DN sabe que Netanyahu apresentou a Costa os seus argumentos sobre porque pensa que o Irão constitui uma ameaça para todo o médio oriente, tendo o primeiro-ministro português ouvido, sem manifestar qualquer opinião.

Em relação aos colonatos, a posição do governo português é “contrária” à de Israel e dos EUA, segundo afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, da parte da manhã depois do encontro com Pompeo e Costa . A uma semana das eleições de setembro, Netanyahu prometeu anexar o Vale do Jordão a Israel, que representa cerca de 30% da Cisjordânia, atualmente sob a administração da Autoridade Palestiniana. Em novembro, os EUA deixam de considerar os colonatos israelitas na Cisjordânia ilegais, violando o direito internacional, contrariando uma posição defendida pelo Departamento de Estado desde 1978

Visita a memorial do massacre de 1506 Durante a sua curta estadia, à margem dos encontros oficiais, Benjamin Netanyahu foi conhecer o memorial às vítimas do massacre judaico de 1506, no Largo de S.Domingos em Lisboa e visitou o Palácio da Pena. Fonte da delegação avançou ao DN que Netanyahu regressa esta noite a Israel, depois de jantar “num restaurante tipicamente português” com a sua mulher

Na reunião com Costa, Benjamin Netanyahu foi acompanhado por uma comitiva de quatro pessoas, com destaque para Meir Ben-Shabat, o todo-poderoso chefe máximo do Conselho Nacional de Segurança israelita, uma estrutura que coordena, monitoriza e analisa para o primeiro-ministro todas as questões de segurança que envolvem o país

Além de Ben-Shabat, constituíam ainda a delegação israelita os conselheiros militar e diplomático, bem como o embaixador de Israel em Portugal, Raphael Gamzou. Do lado português, António Costa estava com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, pelo seu chefe de gabinete, Francisco André, e pelo assessor diplomático Francisco Duarte Lopes

Para João Rebelo, ex-presidente do Grupo Parlamentar de Amizade PortugalIsrael, a visita de Marcelo servirá para “consolidar” o bom relacionamento entre ambos os países. “Apesar dos muitos votos contra Israel propostos pelo PCP e pelo BE no parlamento, as relação entre os dois países nunca foram tão boas”, sublinha. O dirigente centrista assinala “o grande aumento no turismo, principalmente de israelitas a visitarem Portugal, ao ponto de, a partir do próximo ano as companhias aéreas TAP e El-Al passarem a ter voos diários; mas também em setores como a agricultura, com a exportação de gado vivo e outros produtos”

Destaca ainda a “regular cooperação, quer com equipamentos quer com formação, nas áreas do contraterrorismo, segurança pública, na cibersegurança e na Defesa, onde os israelitas são dos melhores especialistas do mundo, principalmente do ponto de vista de inovação tecnológica”. João Rebelo lembra, quanto ao setor da Defesa, a recente compra das aeronaves KC 390 da Embraer para a Força Aérea, cujo equipamento para a chamada “guerra eletrónica” é israelita

Outro fator de aproximação entre Portugal e Israel, tem sido marcada pelo facto de milhares de judeus sefarditas, a maior parte de Israel, estarem a pedir nacionalidade portuguesa. Desde 2015, data da publicação do diploma que permite aos descendentes de judeus expulsos pela Inquisição nos séculos XV e XVI obterem a cidadania portuguesa, mais de 45 mil já a requereram , tendo sido já concedida a cerca de 10 mil

Notícia atualizada às 18h40 com mais informação sobre a reunião